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Prancha Mágica - Parte I

Duas coisas em nosso esporte fazem nossos instintos mais básicos aparecerem: A PRANCHA E A ONDA.
Hoje vou falar da prancha: Tenho 37 anos, 24 de bodyboarding, fui competidor entre 1987-2003 e já tive mais ou menos umas cinqüentas pranchas.
Em média fico um ano com cada uma, geralmente tenho mais de uma em uso.(no momento são três).
Pode parecer estranho, mas com cada uma delas tive uma experiência, parecido com os relacionamentos que temos durante a vida.
Durante algum tempo ficava folhando as revistas americanas de bodyboarding da época e via que a maioria dos caras usavam a mach 7-7, mesmos o brasileiros de ponta usavam aquela prancha. Que ao contrário da 7-7 nacional vinha somente em uma combinação de cor: Deck amarelo, bordas pretas e fundo laranja (Obs: até existiu um modelo muito raro com o fundo preto).
Durante muito tempo fui alimentando meu desejo de ter uma prancha daquelas, até por que era a prancha que o Mike Stewart usava e naquela época ele já era ídolo.
Lembro-me muito bem da minha primeira Mach 7-7 importada, comprada por minha mãe nos EUA em 1988. Mandei tantas recomendações sobre a prancha que quase enlouqueci todo mundo. E pior, parece que a viagem da minha mãe demorou um século. A prancha chegou em um quinta-feira que antecedia o feriado de páscoa. Chegou toda embrulhada em um papel pardo que foi imediatamente rasgado.
O prazer e satisfação de ver aquela prancha amarela com fundo laranja e bordas preta, ali novinha na minha frente foi praticamente o êxtase. Como todas as pranchas gringas da época a minha 7-7 veio sem o furo(as nacionais vinham furadas bem no meio).
Como sempre via nas revistas, que a maioria dos caras usavam o copinho deslocado para direita, eu achava o máximo aquilo, mas todas as pranchas que eu tivera até então vinham com aquele maldito furo no meio.
E então, chegou o tão temido momento de furar a minha prancha novinha. Me senti um adolescente no momento da primeira vez, na realidade eu era um adolescente e era a primeira vez que furava uma prancha. A situação era igual a perda da virgindade, eu tinha algumas parcas informações de alguns amigos de como fazer, tinha a prancha, tinha as ferramentas mas não tinha a mínima noção de como fazer.
Depois de muita excitação tudo aconteceu naturalmente. He he he.
No dia seguinte a estréia não poderia ser melhor, um mar clássico e sensação de ter a melhor prancha do mundo. Ela me acompanhou por um bom tempo, venceu muitos campeonatos e estava comigo quando quase morri afogado no Morro das Pedras em um mar gigante. Foi aposentada por invalidez no verão de 1989 de forma trágica. Em um mar com menos de ½ metro ao errar um rolo a prancha embicou na volta trancou o bico na areia meu corpo bateu com toda a força na rabeta e com o peso dobrou a prancha no meio fazendo uma séria de estrias no deck. Além disto raspei o rosto no chão e me cortei todo na areia. Sai da água com o rosto todo sangrando e chorando, não por causa da dor mas por que tinha perdido minha prancha.
Esta prancha ficou um tempo parada na garagem da minha casa e simplesmente desapareceu, todos acham que ela foi roubada, eu tenho a opinião que ela não agüentou me ver com outras pranchas e fugiu. Esta foi minha primeira prancha mágica.
Morey Boogie – Mach 7-7 – Ano: 1988
Características: Como todas as pranchas do final dos anos noventa tinha o bico bem pequeno e rabeta muito larga.
Bico tinha: + ou – uns 22 cm.
A rabeta era a swalow square – que hoje chamam de crescent – e muito larga, somente um pouco menor que o wide-point que ficava bem no meio da prancha.
Tamanho 41’5’’
Fernando Tôrres
Fernando@bodyboard.com.br
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